Resumo
Este artigo investiga a experiência da crise na clínica de álcool e drogas visando compreender como usuários de um Centro de Atenção Psicossocial a caracterizam. Considera determinações sociais que agravam o uso e discute os efeitos da exigência de abstinência. Pela Metodologia Hermenêutica Crítica e Narrativa, os resultados evidenciam que a crise se potencializa por atravessamentos psicossociais como racismo, ausência de direitos básicos e violências, exacerbadas pelo proibicionismo. Destacam-se práticas de cuidado que contemplem dimensões individuais e sociais, promovendo melhores condições de vida e indicando a ineficácia do proibicionismo. Reduzir usuários de drogas a doentes e marginais restringe a visão integral da crise ao desconsiderar os determinantes sociais e reduzir oportunidades daqueles que potencialmente fazem viver. Portanto, compreendemos crise como experiência psicossocial que exige acolhimento e legitimação das subjetividades, buscando pistas para fortalecer outras conexões com o viver.
Palavras-chave
Redução de danos; Saúde mental; Usuários de drogas; Crise
Acesso em: https://doi.org/10.1590/interface.240498
