A clínica que se rebela: Frantz Fanon diante da psiquiatria atual

Santos da Silva I. A clínica que se rebela: Frantz Fanon diante da psiquiatria atual. Interface (Botucatu). 2026; 30: e260146 DOI: https://doi.org/10.1590/interface.260146

Frantz Fanon é um meteoro.

De sua participação na Segunda Guerra Mundial pelas Forças Francesas Livres de Charles De Gaulle (combatendo diretamente a Alemanha nazista) à sua incursão na França como estudante de medicina (e, posteriormente, como psiquiatra subversivo), culminando em seu mergulho ativo na revolução argelina. Geograficamente martinicano, francês de jure, ideologicamente argelino, existencialmente africano, politicamente terceiro-mundista. Por onde passou, Fanon deixou um rastro de contribuições vorazes, por vezes irascíveis, ao pensamento antirracista e anticolonial e ao que poderíamos denominar de psiquiatria social. Ler “A clínica rebelde”, biografia preparada por Adam Shatz1 e lançada no Brasil em 2025, é como ler um documentário: um mosaico vivo de cenas esculpidas cuidadosamente a cada linha, a cada nova memória, cuja composição apresenta a imagem de um homem genial e imperfeito, agudo em suas críticas, mas também embebido de contradições. Demasiadamente humano.

Acesso em: https://doi.org/10.1590/interface.260146