Formação de trabalhadores da saúde e produção de subjetividade: estudo de caso na interface entre Saúde Coletiva e teoria psicanalítica

Terra LSV, Campos GWS. Formação de trabalhadores da saúde e produção de subjetividade: estudo de caso na interface entre Saúde Coletiva e teoria psicanalítica. Interface (Botucatu). 2026; 30: e250606 DOi: https://doi.org/10.1590/interface.250606

Resumo

O artigo analisa experiências formativas em saúde por meio de metodologia Balint-Paideia, articulando Saúde Coletiva e teoria psicanalítica, especialmente o conceito de inconsciente capitalista de Tomšič. Com base em observação participante e diários de campo de cursos de especialização e extensão em Saúde da Família realizados entre 2018 e 2020, investigou-se como trabalhadores elaboram tensões entre desejo de transformar práticas e limites impostos pela lógica capitalista da produção do cuidado. Os resultados mostram que, embora marcados pela alienação e pela captura do desejo pelo imperativo produtivo, os grupos funcionaram como espaços protegidos de palavra, reconhecimento e afeto, possibilitando a nomeação de questões subjetivas, o reposicionamento diante do sofrimento e a invenção coletiva de práticas. Conclui-se que a formação, ao integrar clínica, política e subjetividade, pode abrir brechas emancipatórias, ampliando o horizonte da Reforma Sanitária e recolocando o sujeito no centro da produção do cuidado.

Palavras-chave
Capacitação de recursos humanos em saúde; Subjetividade; Alienação; Psicanálise; Método paideia

Acesso em: https://doi.org/10.1590/interface.250606