Tesser CD. Uma reabertura comprometida. Interface (Botucatu). 2026; 30: e250770 DOI: https://doi.org/10.1590/interface.250770
Resumo
O artigo “História dos psicofármacos: reabertura do debate”1, propõe reiniciar o debate sobre a história dos psicotrópicos com bons referenciais e um acertado esforço para sair de uma visão dicotômica desse tema. Todavia, o texto padece de algumas cegueiras.
A primeira cegueira é dupla: a interpretação do giro químico na psiquiatria é vista como um fato científico, social, clínico e institucional estabelecido, crescente, incontornável e inevitável. Nada disso foi afirmado, mas parece haver essa assunção subliminar implícita, ela é coerente com a direção e a interpretação ali propostas. Embora o autor proponha assumir uma perspectiva dos Science and Technology Studies (STS) e invoque Latour para orientar um novo olhar investigativo sobre o que fazem os psicotrópicos, esse olhar parece universalizar e absolutizar algo questionável: uma avaliação implícita de que seu uso terapêutico crescente é irreversível.
Acesso em: https://doi.org/10.1590/interface.250770
